Mesmo com medidas protetivas, feminicídios seguem em alta em SP; pedidos cresceram quase 1.000%

  • 25/03/2026
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Mesmo com medidas protetivas, feminicídios seguem em alta em SP; pedidos cresceram quase 1.000%

Feminicídios acendem alerta em SP; maioria das vítimas tinha medidas protetivas contra agressores

Casos recentes de feminicídio registrados na São Paulo acenderam um alerta entre autoridades e especialistas em segurança pública. Levantamento divulgado pela TV Globo aponta que a maioria das mulheres assassinadas nesta semana na Grande São Paulo e no interior do estado já possuía medidas protetivas contra os agressores.

Os dados também revelam que os pedidos desse tipo de proteção cresceram de forma acelerada na última década. Informações do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo indicam que as solicitações passaram de 10.804 em 2015 para 118.258 em 2025, um aumento de 994% em dez anos.

Apesar do crescimento das denúncias e da ampliação das medidas judiciais, autoridades afirmam que apenas a concessão da medida protetiva nem sempre é suficiente para evitar os crimes.


Monitoramento eletrônico é uma das alternativas

Uma das estratégias adotadas para reforçar a proteção das vítimas é o monitoramento de agressores por meio de tornozeleiras eletrônicas. O sistema permite acompanhar em tempo real a localização do suspeito e verificar se ele se aproxima de áreas proibidas, como a residência ou o local de trabalho da vítima.

O monitoramento é realizado pelo Polícia Militar do Estado de São Paulo, por meio do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).

Segundo a corporação, não há registro de feminicídio envolvendo agressores monitorados por tornozeleira, embora já tenham ocorrido tentativas de aproximação que foram interrompidas pela rápida atuação das viaturas.

O Ministério Público do Estado de São Paulo também tem orientado promotores a solicitarem o monitoramento eletrônico sempre que possível.

A promotora de Justiça Vanessa Almeida explica que a medida tem sido cada vez mais recomendada.

“É uma preocupação do Ministério Público orientar os promotores a pedir medidas protetivas com tornozeleira, inclusive em audiências de custódia. Essas medidas podem ser solicitadas pela vítima, pela delegacia, por advogados, pela Defensoria ou até pelo próprio juiz”, afirmou.


Caso em Botucatu chocou a região

Um dos crimes que chamou a atenção ocorreu no último fim de semana em Botucatu, no interior paulista.

A jovem Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, e o namorado Diego Felipe da Silva foram mortos a tiros. De acordo com a polícia, o autor dos disparos foi o ex-companheiro da vítima, Diego Sansalone, que fugiu após o crime, mas acabou sendo preso em uma área de mata.

Segundo as investigações, Júlia havia registrado dez boletins de ocorrência contra o suspeito e solicitado três medidas protetivas.


Denúncias aumentam no estado

O aumento expressivo nos pedidos de medidas protetivas também está ligado à maior conscientização das vítimas sobre seus direitos e aos canais de denúncia disponíveis.

Nos últimos dois anos, foram mais de 221 mil solicitações desse tipo em todo o estado.

Mesmo assim, o feminicídio ainda representa um desafio para as autoridades. Em 2024, 270 mulheres foram assassinadas em São Paulo. Desse total, apenas 28% das vítimas haviam registrado ocorrência na polícia.

A coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher no estado, Cristiane Camargo Braga, afirma que a violência doméstica muitas vezes está ligada a relações afetivas profundas.

“Muitas vezes a mulher acreditou que aquela pessoa seria seu parceiro para a vida inteira. Não raro é o pai dos filhos dela. Isso torna a situação emocionalmente muito difícil”, explicou.


Uso de tornozeleiras ainda é limitado

Desde setembro de 2023, o estado passou a utilizar tornozeleiras eletrônicas em casos de violência doméstica. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, 211 agressores já foram autuados por descumprimento de medidas protetivas, e 120 permaneceram presos.

Atualmente, o estado conta com 1.250 tornozeleiras destinadas a casos de violência doméstica, sendo 450 na capital paulista. Destas, 189 estão em uso.

Segundo autoridades, o equipamento só pode ser aplicado mediante solicitação e autorização do Poder Judiciário, geralmente durante audiências de custódia.


Registrar ocorrência é fundamental

Especialistas reforçam que registrar a ocorrência é o primeiro passo para garantir proteção. A denúncia permite que a vítima tenha acesso a uma rede de apoio que pode incluir:

  • medidas protetivas
  • acompanhamento policial
  • assistência social
  • acolhimento em abrigos especializados

Autoridades destacam que a denúncia é essencial para ampliar a proteção e evitar que casos de violência doméstica evoluam para tragédias.


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